No próximo dia 19 de maio, os Mão Morta participarão na VIRADA CULTURAL, um dos acontecimentos culturais mais importantes de São Paulo. Ao longo de 24h, a cidade brasileira enche-se de animação, com concertos, peças de teatro e exposições a acontecerem em simultâneo em diversos espaços. Esta será a estreia dos Mão Morta em palcos brasileiros.
O concerto vai ter lugar no Palco de São João, instalado no n.º 1100 da avenida de São João, e está marcado para as 4h da madrugada. No mesmo palco, ao longo da maratona de concertos, irão também tocar, entre outros, o brasileiro Lobão, os norte-americanos Mondo Generator e a personagem mítica da No Wave nova-iorquina, James Chance (ou James White, se preferirem), agora acompanhado por uma formação composta por músicos franceses, Les Contortions.
01 Outubro - Lisboa - Sala TMN ao vivo
06 Outubro - Coimbra – Teatro Académico Gil Vicente
15 Outubro - Castelo Branco - Cine Teatro Avenida
20 Outubro - Faro - Teatro das Figuras
21 Outubro - Portalegre - CAE
29 Outubro - Famalicão - Casa das Artes
31 Outubro – Viana do Castelo – Teatro Sá de Miranda
04 Novembro - Ílhavo - Centro Cultural
Acham que já viram tudo em 27 anos de carreira dos Mão Morta?
Ano e meio após a edição de «Pesadelo em Peluche», período durante o qual os Mão Morta passaram pelo Coliseu dos Recreios e pelos principais festivais de Verão, o grupo de Adolfo Luxúria Canibal, Miguel Pedro, António Rafael, Sapo, Vasco Vaz e Joana Longobardi volta a ser notícia com a tour «Pelux in Motion». De 1 de Outubro a 4 de Novembro, os Mão Morta vão percorrer o país com um espectáculo novo e cru, desprovido de efeitos, e com um alinhamento que vai recuperar temas já guardados para os cruzar com outros mais recentes.
Com a sugestiva designação de «Pelux in Motion», esta digressão de oito datas tem como objectivo colocar os peluches fofinhos e sedentos de acção redentora em movimento num cenário de horror.
Lisboa, Coimbra, Castelo Branco, Faro, Portalegre, Famalicão, Viana do Castelo e Ílhavo foram as cidades escolhidas para receber esta encenação dos improváveis pesadelos protagonizados pelos melhores amigos das crianças. Em alguns casos é o regresso do grupo àqueles palcos, mas em outros, como Castelo Branco, Famalicão e Ílhavo trata-se apenas da segunda vez que, em 27 anos de carreira, os Mão Morta lá vão tocar.
O tema «Teoria da Conspiração», do último «Pesadelo em Peluche», serve de banda sonora a esta digressão que, findas as datas, não passará de uma boa recordação para todos os que, em palco ou na plateia, a presenciaram. Não restará nada para contar como foi...
Os bilhetes para os concertos serão vendidos nas bilheteiras das próprias salas, com excepção da data de Lisboa, a 1 de Outubro, cujos ingressos já estão à venda na Ticketline (www.ticketline.pt) por 15€ (venda antecipada) e 17€ (no próprio dia). Os preços das restantes salas variam entre os 10€ e os 12€.
O VÍDEO DE «NOVELOS DA PAIXÃO»
«PESADELO EM PELUCHE» nas lojas em Abril
«Pesadelo em Peluche», o novo álbum de estúdio dos Mão Morta, chega às lojas a 19 de Abril, com selo Universal Music Portugal. Entretanto, o tema «Novelos da Paixão» pode já ser descarregado a partir do Expresso Online (durante a semana de 6 a 13 de Março) ou escutado na Antena 3. "Pesadelo em Peluche» é apresentado ao vivo também em Abril, dia 29, no Coliseu dos Recreios de Lisboa (ver notícia abaixo).
“PESADELO EM PELUCHE”
Pesadelo Em Peluche teve como ponto de partida o livro The Atrocity Exhibition (A Feira de Atrocidades), de J. G. Ballard, e a questão aí levantada da nova percepção do real que o panorama mediático e cultural instituído pela moderna comunicação de massas induz no indivíduo. É sobejamente conhecida a anedota do miúdo urbano que se espanta ante a visão de uma galinha viva porque só a figurava depenada e dependurada nos talhos e nos supermercados. Da mesma forma, com o devido reajuste de escala, que traços de personalidade são sulcados no sujeito diariamente exposto às imagens choque de guerras, acidentes, crimes ou catástrofes naturais que enchem os noticiários televisivos, aos paradigmas produzidos pela publicidade na permanente exaltação de objectos quotidianos como o champô, o automóvel, os destinos de férias ou os gadgets tecnológicos, aos mexericos emocionais da vida privada de vedetas televisivas e demais figuras públicas constantemente expostos nas capas das revistas e nos escaparates dos quiosques, aos infindáveis cenários de auto-estradas, engarrafamentos, viadutos, aeroportos e vastos bairros uniformes que lhe marginam as jornadas casa trabalho? Essa matéria visual da cultura mediática e os novos desejos e padrões psíquicos que fomenta constituem o cerne das histórias contidas nas canções e também a premissa para a sua composição, desenvolvida a partir de algumas das matrizes que os últimos 30 anos da história do rock fixaram. Assim, os riffs ou as batidas à maneira de servem para enquadrar narrativas psicóticas onde a pulsão sexual é alimentada por estranhos fetiches e a morte não passa de uma ficção conceptual carregada de encantos obscenos. Como se, perdido o equilíbrio genésico, a vida se transmutasse num perturbante pesadelo de desconcerto numa mente entorpecida pelo peluche do conforto.
Adolfo Luxúria Canibal
Mão Morta – Pesadelo em Peluche
1. Novelos da Paixão
2. Teoria da Conspiração
3. Paisagens Mentais
4. Biblioteca Espectral
5. Tardes de Inverno
6. Como um Vampiro
7. Penitentes Sofredores
8. O Seio Esquerdo de R.P.
9. Fazer de Morto
10. Metalcarne
11. Estância Balnear
12. Tiago Capitão
Fernando Ribeiro – voz em “Como um Vampiro”; Mário Pereira – coros e baixos adicionais.
Gravado entre Outubro de 2009 e Fevereiro de 2010 por Mário Pereira, André Holanda e Nuno Couto no Estúdio de Mário Pereira (Porto), por Miguel Pedro no MyOwn Studio (Braga) e por António Rafael no Miritz Studio (Braga). Misturado em Fevereiro e Março de 2010 por Mário Pereira. Masterizado em Março de 2010 por Andy VanDette no Sterling Sound (Nova Iorque).
Produzido por Miguel Pedro (“Teoria da Conspiração”, “Metalcarne”, “Tardes de Inverno”, “Novelos da Paixão”, “Como um Vampiro”, “Fazer de Morto”), António Rafael (“Penitentes Sofredores”, “Biblioteca Espectral”, “Tiago Capitão”) e Vasco Vaz (“Paisagens Mentais”, “O Seio Esquerdo de R.P.”, “Estância Balnear”). Co-produzido por Mário Pereira.
Fotografia da capa de Adolfo Luxúria Canibal; fotografias do grupo de Miguel Pedro; design gráfico de Andreia Alves Mendes.
MÃO MORTA apresentam «PESADELO EM PELUCHE»
Onze anos depois de terem pisado pela primeira vez o palco do Coliseu dos Recreios, os Mão Morta agendaram o regresso àquela mítica sala para dia 29 de Abril de 2010, às 21h30, para apresentar o novo álbum de originais, «Pesadelo em Peluche», e celebrar 25 anos de carreira.
Os bilhetes para este concerto custam 20€ e estão à venda nos locais habituais (Fnac, Ticketline, Worten, El Corte Ingles, Agência Abreu).
MÃO MORTA - 1988 - 1992 - reedições
É com esta edição única que os Mão Morta dão início às celebrações dos seus 25 anos!
Considerando que os três primeiros discos dos Mão Morta (Mão Morta, 1988; Corações Felpudos, 1990; O.D., Rainha do Rock & Crawl, 1991) estão há muitos anos esgotados no mercado, quer as edições originais em vinil quer as reedições em CD efectuadas em 1998, e que o mesmo acontece com o seu quarto disco (Mutantes S.21, 1992), originalmente editado em vinil e em CD e nunca reeditado, e dada a grande procura que existe pelos mesmos, a Cobra decidiu reeditá-los em CD, numa edição cuidada, respeitando o mais possível quer o conteúdo quer o grafismo das edições originais em vinil, utilizando capas de cartão e inserindo-lhe os desenhos gráficos que constavam das suas folhas interiores.
A reedição é feita numa sóbria e elegante caixa, de edição limitada, com o título Mão Morta 1988-1992, que acomoda os quatro álbuns individualizados e as respectivas capas. Pretende-se assim dar o devido destaque ao que já é considerado como património histórico da música portuguesa e valorizar a sua reedição, conferindo-lhe qualidades de objecto de colecção.
Estes discos compõem a primeira fase da já longa carreira dos Mão Morta, a mais acerrimamente underground, desde a pedrada no charco que foi o álbum homónimo e que lhes granjeou o culto que ainda hoje perdura até ao reconhecimento do grande público com Mutantes S.21 e o êxito de Budapeste, construindo os alicerces do nome incontornável que são hoje os Mão Morta na música nacional. Já à venda no site da Cobra pelo preço de 25 euros (+ portes), esta caixa apenas poderá ser adquirida nas lojas a partir do dia 10 de Fevereiro.
MÃO MORTA (1998)
E se Depois
Até Cair
Sitiados
Oub'Lá
Carícias Malícias
Aum
CORAÇÕES FELPUDOS (1990)
Ventos Animais
Olho da Máscara
Desmaia, Irmã, Desmaia
Fogo Fátuo
Destilo Ódio
Fado Canibal
Cristina Vai às Compras
Maria, Oh Maria
É uma Selvajaria
Santana Menho
Freamunde Acapulco
Facas em Sangue
Arlequim
O.D., RAINHA DO ROCK & CRAWL (1991)
Bófia
Anarquista Duval
Charles Manson
Quero Morder-te as Mãos
O Divino Marquês
MUTANTES S.21 (1992)
Lisboa (Por Entre as Sombras e o Lixo)
Amesterdão (Have Big Fun)
Budapeste (Sempre a Rock & Rollar)
Barcelona (Encontrei-a na Praça Real)
Marraquexe (Pç. das Moscas Mortas)
Berlim (Morreu a Nove)
Paris (Amour À Mort)
Istambul (Um Grito)
Shambalah (O Reino da Luz)
"RITUAIS TRANSFIGURADOS"
JÁ DISPONÍVEL
"Rituais Transfigurados" corresponde à
gravação do filme-concerto com que os Mão Morta abriram o
16.º Curtas de Vila do Conde, em 5 de Julho de 2008,
apresentação única do trabalho de sonorização efectuado na
sequência do convite do Festival para os Mão Morta
acompanharem musicalmente uma obra cinematográfica, numa
produção comissariada por Dario Oliveira, e que recaiu sobre
quatro curtas-metragens da realizadora norte-americana Maya
Deren, pioneira do cinema experimental.
Alinhamento CD
1. Um Estudo Coreográfico para a Câmara
2. Na Terra
3. Tramas do Entardecer
4. Ritual no Tempo Transfigurado
PRÓXIMOS CONCERTOS (2009)
07 de Agosto -
Santo Tirso - Festival STCulterra
21 de Agosto -
Corroios - Festas de Corroios
29 de Agosto -
Porto - Festival Noites Ritual Rock
"MALDOROR" EM DVD
Já disponível no site da Cobra Discos e nas lojas a 2 de Março
A “Maldoror”, o espectáculo que os Mão
Morta estrearam no Theatro Circo de Braga, a 11 e 12 de Maio
de 2007, baseado no livro “Os Cantos de Maldoror” que
Isidore Ducasse, sob o pseudónimo de Conde de Lautréamont,
deu à estampa nos finais do séc. XIX, e levaram depois em
digressão por todo o país – Portalegre (Centro de Artes do
Espectáculo), Torres Novas (Teatro Virgínia), Viseu (Teatro
Viriato), Leiria (Teatro José Lúcio da Silva), Faro (Teatro
das Figuras), Estarreja (Cine-Teatro Municipal), Lisboa (Culturgest)
– até ao regresso final ao mesmo Theatro Circo, a 3 de Maio
de 2008, Nuno Couto e Filipe Lourenço gravaram-lhe o som,
Manuel Leite, Alexandre Guerreiro e Ana Maia captaram-lhe as
imagens e Manuel Leite montou-as, para a obtenção de uma
obra autónoma que é simultaneamente um testemunho visual do
espectáculo e uma recordação desses momentos marcantes para
cuja concretização os Mão Morta dedicaram os últimos três
anos da sua existência.
Sobre o espectáculo, escreveu o Professor
de Teoria da Literatura da Faculdade de Letras de Coimbra
Osvaldo Manuel Silvestre que “Maldoror é um objecto singular
e estimulante, desde logo porque se integra mal em qualquer
das categorias herdadas da já longa tradição da cultura rock.
(…) É isto rock? É isto arte contemporânea? Seguramente, e
ao mesmo tempo. Um híbrido poderoso, um nó cego de questões
que, entre o triunfo do corpo e a sua textualização, entre
as ilusões do visível e a irrupção abrupta e excessiva do
sublime, entre obra material e performance, entre
negatividade e catarse – entre o rock e tudo o resto –,
fazem de Maldoror um dos episódios decisivos das artes
performativas em Portugal neste momento.”
É
essa obra que a Cobra agora edita em DVD, acrescida de dois
pequenos filmes, “A Estreia”, de Manuel Leite, que apresenta
os últimos instantes antes da primeira subida do pano, quer
nos camarins quer na sala, e “Um Passeio Quotidiano”, de
Nuno Tudela, que regista o que foi a montagem do espectáculo
e a sua digressão. Disponível a partir do dia 6 de Fevereiro
no site da editora e
dia 2 de Março nas lojas.
Ficha Técnica
Selecção de texto, versão portuguesa e
adaptação de Adolfo Luxúria Canibal a partir do texto
original francês “Les Chants de Maldoror” de Isidore Ducasse,
O Conde de Lautréamont.
Música original de Miguel Pedro,
excepto “O Herói (pt. 2)”, original de António Rafael, e “O
Sonho”, original de Vasco Vaz.
Encenação de António Durães.
Cenografia de Pedro Tudela.
Figurinos de Cláudia Ribeiro.
Videoplastia de Nuno Tudela.
Desenho de luz de Manuel
Antunes.
Interpretação de Mão Morta – Adolfo Luxúria Canibal:
voz / Miguel Pedro: electrónica e bateria / António Rafael:
teclados e xilofone brinquedo / Sapo: guitarra / Vasco Vaz:
guitarra e xilofone brinquedo / Joana Longobardi: baixo e
contrabaixo – com a participação de Manuel Toga (figuração)
e Maria João Feio (menina no vídeo).
Gravado ao vivo no
Theatro Circo, em Braga, a 11 e 12 de Maio de 2007, por Nuno
Couto, com assistência de Filipe Lourenço.
Mistura áudio e
masterização de Nuno Couto.
Filmado no Theatro Circo, em
Braga, a 11 e 12 de Maio de 2007, por Manuel Leite,
Alexandre Guerreiro e Ana Maia.
Montagem vídeo e realização
de Manuel Leite.
Design gráfico de Andreia Alves Mendes.
Tour "Ventos Animais"
Depois do êxito da apresentação e da
itenerância bem sucedida do espectáculo "Maldoror", onde as
marcações, o cenário e o guarda-roupa ditavam as regras, os
Mão Morta regressam à liberdade do formato clássico de
concerto, para explorarem o seu longo reportório de canções
e manifestos, onde "Oub'Lá", "E Se Depois", "Budapeste", "Anarquista
Duval" ou "Em Directo (Para a Teelvisão)" têm lugar cativo.
Intitulada explicitamente "Ventos Animais", do título de uma
canção do seu segundo disco, "Corações Felpudos", esta
digressão quer-se da revisitação e jubilação de um
património partilhado, transmutando os ventos animais em
sopros de festa rija e inesquecível.
E agora os “Ventos Animais” chegam ao
Porto e a Lisboa, duas cidades onde os Mão Morta não tocam
há demasiado tempo: a última apresentação em Lisboa –
descontando a especificidade de “Maldoror” no esgotado
auditório da Culturgest em Abril passado – foi a 23 de Março
de 2005, numa lotada e delirante Aula Magna, quando
encerraram a tournée “Sessões de Inverno” que procedia à
apresentação do álbum “Nus”; e no Porto os Mão Morta não são
vistos desde 8 de Outubro de 2004, na passagem da tour
“Sessões de Outono”, dedicada à intimidade dos clubes e
pequenos espaços, por um tórrido “O Meu Mercedes…”,
irrespirável de tanta gente.
21 de Novembro (22h) - Barcelos, Auditório S. Bento Menni
(Festival
Subscuta / Bilhetes: 10€)
28 de
Novembro - Montijo, Parque de Exposições (FestiRock 08)
19 de Dezembro (21h30)- Sesimbra, Cine Teatro João Mota
6 de Março - PORTO, TEATRO SÁ DA
BANDEIRA (21h30; primeira parte: Smix Smox Smux;
bilhetes entre 15€ e 18€, já à venda)
14 de Março - Portalegre, Centro de Artes do Espectáculo
(21h30)
21 de Março - Torres Vedras, Teatro-Cine (22h)
27 de Março - Guimarães, Teatro São Mamede (22h)
28 de Março - Alcochete, Fórum Cultural (22h)
1 de Abril - LISBOA, CINEMA SÃO
JORGE (21h30; primeira parte: Murdering Tripping
Blues; bilhetes a 18€, já à venda)
3 de Abril - Abrantes, Cine-Teatro São Pedro (22h)
18 de Abril - BRAGA, AUDITÓRIO DO
PARQUE DE EXPOSIÇÕES / FEIRA DO LIVRO (22h)
Concertos nos Açores
08 de Agosto - Semana do Mar - Palco Alternativo (Horta -
Açores)
09 de Agosto - São Roque (Pico - Açores)
MALDOROR, o disco, já à venda
Das gravações dos espectáculos de estreia de MALDOROR, a 11 e 12 de Maio de 2008, no Theatro Circo, resultou este disco,
em formato de CD duplo. MALDOROR é uma edição limitada, com capa em pano e booklet interior com textos do espectáculo
e ilustrações de Isabel Llano. É vendido apenas no site da editora,
www.cobradiscos.org, e nos locais por onde passará
ainda o espectáculo.
Próximas apresentações de "MALDOROR"
28 23 de Fevereiro - Teatro Virgínia em
Torres Novas
7 e 8 de Março - Teatro Viriato em Viseu
13 de Março - Teatro José Lucio da Silva em Leiria
5 de Abril - Teatro Municipal de Faro
12 de Abril - Cine Teatro de Estarreja
23 de Abril - Culturgest em Lisboa
3 de Maio - Theatro Circo em Braga
(Estas serão as últimas apresentações do espectáculo.)
"MALDOROR", no Theatro Circo de Braga (11
e 12 de Maio) e no Centro de Artes do Espectáculo de
Portalegre (19 de Maio)
Na
Paris sitiada de 1870 e em vésperas do levantamento da
Comuna morre aos 24 anos o desconhecido Isidore Ducasse. No
entanto este misterioso “homem de letras” deixava atrás de
si um formidável empreendimento de demolição de que o
romantismo envelhecido e o Segundo Império à beira do
desastre não seriam as únicas vítimas. Os seus “Os Cantos de
Maldoror”, impressos no ano anterior sob o pseudónimo de O
Conde de Lautréamont, não poupam nenhuma autoridade nem
nenhum dogma.
Sob a aparência de um herói do Mal,
negativo dos heróis românticos então em voga, Maldoror é a
personagem central da narrativa estruturada em Cantos à
maneira das epopeias clássicas. Mas Maldoror é muito mais
que um herói do Mal, é sobretudo um combatente da liberdade
que nos revela as consequências de uma dupla alienação:
enquanto a interiorização dos interditos morais e religiosos
nos confisca os desejos, as marcas de uma linguagem
imobilizada contrariam-nos a livre expressão.
Se a primeira alienação ganha denúncia no
combate encarniçado de Maldoror contra o Criador e a
religião e na natureza obsessivamente erótica dos seus
crimes, relembrando a animalidade e a agressividade que a
Igreja associa à sexualidade, já a segunda é exposta pela
recorrência a artifícios literários, da interpelação do
leitor à confusão entre narrador e personagem, da ausência
de linearidade narrativa à constante sobreposição de formas
literárias, como se ao combate encarniçado contra o Criador
correspondesse estranhamente uma luta da escrita contra uma
censura latente. Apesar disso, o texto não perde balanço,
antes, como uma espiral ou um turbilhão, ganha um movimento
rodopiante, de reposição e de renovação, de repetição e de
modulação, com novos enredos sempre a arrancarem para logo
abortarem, com constantes intromissões e divagações a
impedirem a narração de avançar, não abordando novos relatos
senão para voltar a tropeçar no mesmo episódio indizível,
deixando entrever o que se segue para melhor o ocultar, tal
um segredo que se quer contar mas não se consegue, criando
assim uma tensão que vai alimentar toda a obra, que dá a
impressão de gravitar à volta de um centro sempre fugidio.
A partir de “Os Cantos de Maldoror”, a obra-prima literária
que Isidore Ducasse, sob o pseudónimo de Conde de
Lautréamont, deu à estampa nos finais do séc. XIX, os Mão
Morta, com os dedos de alguns cúmplices, estruturaram um
espectáculo singular onde a música brinca com o teatro, o
vídeo e a declamação.
Aí
se sucedem as vozes do herói Maldoror e do narrador
Lautréamont, algumas imagens privilegiadas das muitas que
povoam o livro, sem necessidade de um epílogo ou de uma
linearidade narrativa, ao ritmo da fantasia infantil – o
palco é o quarto de brinquedos, o espaço onde a criança
brinca, onde cria e encarna personagens e histórias dando
livre curso à imaginação.
Em similitude com a técnica narrativa presente nos Cantos, a
criança mistura em si as vozes de autor, narrador e
personagem, criando, interpretando e fazendo interpretar aos
brinquedos/artefactos que manipula as visões e as histórias
retiradas das páginas de Isidore Ducasse, dando-lhes
tridimensionalidade e visibilidade plástica. O espectáculo é
constituído pelo conjunto desses quadros/excertos, que se
sucedem como canções mas encadeados uns nos outros,
recorrendo à manipulação vídeo e à representação.
Como um mergulho no mundo terrível de Maldoror, povoado de
caudas de peixe voadoras, de polvos alados, de homens com
cabeça de pelicano, de cisnes carregando bigornas, de
acoplamentos horrorosos, de naufrágios, de violações, de
combates sem tréguas… Sai-se deste mundo por uma intervenção
exterior, como quem acorda no meio de um pesadelo, como a
criança que é chamada para o jantar a meio da brincadeira –
sem epílogo, sem conclusão, sem continuação!
Texto Original: Isidore Ducasse dito Conde de
Lautréamont; Selecção, Versão Portuguesa e Adaptação: Adolfo
Luxúria Canibal; Música: Miguel Pedro, Vasco Vaz, António Rafael e Mão
Morta; Encenação: António Durães; Cenografia: Pedro Tudela; Figurinos: Cláudia Ribeiro; Vídeo: Nuno Tudela; Desenho de Luz: Manuel Antunes; Interpretação: Mão Morta (Adolfo Luxúria Canibal –
voz / Miguel Pedro – electrónica e bateria / António Rafael
– teclados e guitarra / Sapo – guitarra / Vasco Vaz –
guitarra e teclados / Joana Longobardi – baixo e
contrabaixo); Produção: Theatro Circo e Imetua – Cooperativa
Cultural.
ESTREIA NO THEATRO CIRCO, em Braga, A 11 E 12 DE MAIO DE
2007
Outras apresentações:
PORTALEGRE, Centro de Artes do Espectáculo, a 19 de Maio.