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MALDOROR, o disco, já à venda

Das gravações dos espectáculos de estreia de MALDOROR, a 11 e 12 de Maio de 2008, no Theatro Circo, resultou este disco,
em formato de CD duplo. MALDOROR é uma edição limitada, com capa em pano e booklet interior com textos do espectáculo
e ilustrações de Isabel Llano. É vendido apenas no site da editora,
www.cobradiscos.org, e nos locais por onde passará
ainda o espectáculo.
Próximas apresentações de "MALDOROR"
28 23 de Fevereiro - Teatro Virgínia em
Torres Novas
7 e 8 de Março - Teatro Viriato em Viseu
13 de Março - Teatro José Lucio da Silva em Leiria
5 de Abril - Teatro Municipal de Faro
12 de Abril - Cine Teatro de Estarreja
23 de Abril - Culturgest em Lisboa
3 de Maio - Theatro Circo em Braga
(Estas serão as últimas apresentações do espectáculo.)
"MALDOROR", no Theatro Circo de Braga (11
e 12 de Maio) e no Centro de Artes do Espectáculo de
Portalegre (19 de Maio)
 Na
Paris sitiada de 1870 e em vésperas do levantamento da
Comuna morre aos 24 anos o desconhecido Isidore Ducasse. No
entanto este misterioso “homem de letras” deixava atrás de
si um formidável empreendimento de demolição de que o
romantismo envelhecido e o Segundo Império à beira do
desastre não seriam as únicas vítimas. Os seus “Os Cantos de
Maldoror”, impressos no ano anterior sob o pseudónimo de O
Conde de Lautréamont, não poupam nenhuma autoridade nem
nenhum dogma.
Sob a aparência de um herói do Mal,
negativo dos heróis românticos então em voga, Maldoror é a
personagem central da narrativa estruturada em Cantos à
maneira das epopeias clássicas. Mas Maldoror é muito mais
que um herói do Mal, é sobretudo um combatente da liberdade
que nos revela as consequências de uma dupla alienação:
enquanto a interiorização dos interditos morais e religiosos
nos confisca os desejos, as marcas de uma linguagem
imobilizada contrariam-nos a livre expressão.
Se a primeira alienação ganha denúncia no
combate encarniçado de Maldoror contra o Criador e a
religião e na natureza obsessivamente erótica dos seus
crimes, relembrando a animalidade e a agressividade que a
Igreja associa à sexualidade, já a segunda é exposta pela
recorrência a artifícios literários, da interpelação do
leitor à confusão entre narrador e personagem, da ausência
de linearidade narrativa à constante sobreposição de formas
literárias, como se ao combate encarniçado contra o Criador
correspondesse estranhamente uma luta da escrita contra uma
censura latente. Apesar disso, o texto não perde balanço,
antes, como uma espiral ou um turbilhão, ganha um movimento
rodopiante, de reposição e de renovação, de repetição e de
modulação, com novos enredos sempre a arrancarem para logo
abortarem, com constantes intromissões e divagações a
impedirem a narração de avançar, não abordando novos relatos
senão para voltar a tropeçar no mesmo episódio indizível,
deixando entrever o que se segue para melhor o ocultar, tal
um segredo que se quer contar mas não se consegue, criando
assim uma tensão que vai alimentar toda a obra, que dá a
impressão de gravitar à volta de um centro sempre fugidio.

A partir de “Os Cantos de Maldoror”, a obra-prima literária
que Isidore Ducasse, sob o pseudónimo de Conde de
Lautréamont, deu à estampa nos finais do séc. XIX, os Mão
Morta, com os dedos de alguns cúmplices, estruturaram um
espectáculo singular onde a música brinca com o teatro, o
vídeo e a declamação.
Aí
se sucedem as vozes do herói Maldoror e do narrador
Lautréamont, algumas imagens privilegiadas das muitas que
povoam o livro, sem necessidade de um epílogo ou de uma
linearidade narrativa, ao ritmo da fantasia infantil – o
palco é o quarto de brinquedos, o espaço onde a criança
brinca, onde cria e encarna personagens e histórias dando
livre curso à imaginação.
Em similitude com a técnica narrativa presente nos Cantos, a
criança mistura em si as vozes de autor, narrador e
personagem, criando, interpretando e fazendo interpretar aos
brinquedos/artefactos que manipula as visões e as histórias
retiradas das páginas de Isidore Ducasse, dando-lhes
tridimensionalidade e visibilidade plástica. O espectáculo é
constituído pelo conjunto desses quadros/excertos, que se
sucedem como canções mas encadeados uns nos outros,
recorrendo à manipulação vídeo e à representação.
Como um mergulho no mundo terrível de Maldoror, povoado de
caudas de peixe voadoras, de polvos alados, de homens com
cabeça de pelicano, de cisnes carregando bigornas, de
acoplamentos horrorosos, de naufrágios, de violações, de
combates sem tréguas… Sai-se deste mundo por uma intervenção
exterior, como quem acorda no meio de um pesadelo, como a
criança que é chamada para o jantar a meio da brincadeira –
sem epílogo, sem conclusão, sem continuação!
Texto Original: Isidore Ducasse dito Conde de
Lautréamont;
Selecção, Versão Portuguesa e Adaptação: Adolfo
Luxúria Canibal;
Música: Miguel Pedro, Vasco Vaz, António Rafael e Mão
Morta;
Encenação: António Durães;
Cenografia: Pedro Tudela;
Figurinos: Cláudia Ribeiro;
Vídeo: Nuno Tudela;
Desenho de Luz: Manuel Antunes;
Interpretação: Mão Morta (Adolfo Luxúria Canibal –
voz / Miguel Pedro – electrónica e bateria / António Rafael
– teclados e guitarra / Sapo – guitarra / Vasco Vaz –
guitarra e teclados / Joana Longobardi – baixo e
contrabaixo);
Produção: Theatro Circo e Imetua – Cooperativa
Cultural.
ESTREIA NO THEATRO CIRCO, em Braga, A 11 E 12 DE MAIO DE
2007
Outras apresentações:
PORTALEGRE, Centro de Artes do Espectáculo, a 19 de Maio.
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